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100 Histórias para Partilhar

Este blog pretende ser um espaço de partilha da prática pedagógica de uma educadora de infância. Todos os textos ,fotos e videos estão sujeitos ao RGPD.

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Sab | 05.10.24

A construção dos instrumentos de regulação

Na nossa sala temos vários instrumentos que nos ajudam a gerir o tempo e o espaço. No que diz respeito à gestão do tempo, estamos a construira nossa agenda semanal.

A organização cooperada do trabalho de aprendizagem carece de determinados instrumentos, a que chamamos "instrumentos de pilotagem" e que servem regular o nosso trabalho em diversas dimensões: gestão do tempo e da rotina diária e semanal, planificação e avaliação e regulação sócio- moral do grupo.

Os “instrumentos de pilotagem”, entendidos como instrumentos de regulação da vida do grupo, “ajudam o educador e as crianças a orientar/regular (planear e avaliar) o que acontece (individualmente e em grupo) na sala, constituindo-se como ‘informantes da regulação formativa’” (Folque; 2012: 55).

De acordo com Niza (2012) os denominados instrumentos de pilotagem encontrados pela sala pertencem a um conjunto de mapas de registos nos quais as crianças podem planificar, gerenciar, refletir e, assim, avaliar as atividades em que participam durante o dia. O autor caracteriza tais instrumentos como um “conjunto de instrumentos de monitorização da ação educativa’’ (p.200) e considera-os de extrema relevância para a avaliação e organização do trabalho pedagógico. De acordo com Folque (2012) podemos considerar um trabalho em sala de aulas/atividades tendo em conta os instrumentos designados de regulação e pilotagem das aprendizagens.

Logo no primeiro dia, as crianças começaram a marcar as suas presenças ( esta rotina, entre muitos outros objetivos, apoia as crianças na construção da identidade enquanto grupo) e fizemos um incipiente plano do dia, que foi avaliado no final do mesmo.Todos os dia fazemos este plano que vai dando forma à nossa semana. à medida que as crianças se vão apropriando que podem fazer na sala, vão surgindo propostas que , depois de escritas no Diário e discutidas por todos e por todos aceites, vão dando corpo à agenda semanal, que vai ser a matriz de trabalho da nossa sala.Estas rotinas de gestão servem para as crianças irem compreendendo que têm um papel efetivo na organização da sala e do seu dia-à dia. 

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Com efeito, para além de acreditar em aprendizagens apoiadas na cooperação, no diálogo e na negociação, o acredito  ainda que a tomada de decisões deve ser partilhadas por todos os envolvidos, em que "a cooperação na construção de uma vivência democrática e, por fim, a construção da cultura aliada a uma composição de sentido." (Folque & Bettencourt, 2018)

Utilizamos diversos instrumentos de regulação que permitem “documentar a vida do grupo”, assim como auxiliar “o educador e as crianças a orientar/regular (planear e avaliar) o que acontece (...) na sala constituindo-se como “informantes da regulação formativa”” (Niza, citado por Folque, 2018, p. 55). Estes instrumentos “constituem-se como documentos onde as crianças veem registadas as rotinas e espaços da sala de atividades, entre outras informações importantes da vida do grupo, podendo os mesmos ser importantes para apoiar o grupo a apropriar-se do espaço e das rotinas” (Santos, 2020, p. 41).

É neste contexto  que construímos a agenda semanal. Passo a passo e á media que vai sendo apropriado pelo grupo este sentido de participação, vamos tendo um instrumento que nos vai ajudar a saber o que fazer com tudo o que queremos apender...

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E é assim com todos os instrumentos... são contruídos por nós, com o sentido de nos apoiar nesta gestão.

Wenger descreve as comunidades de prática como sendo constituídas por um projeto de ação conjunto, isto é, um objetivo comum a todos os membros da comunidade alcançado através de um repertório de recursos adquiridos ao longo do tempo, os quais vão gerar novas capacidades e conhecimentos (Folque, 2018).

Passam a ser nossos e  como tal estarão ao nosso serviço para instituirmos esta comunidade de aprendizagem que é a nossa sala.

Manuela Guedes