Este blog pretende ser um espaço de partilha da prática pedagógica de uma educadora de infância. Todos os textos ,fotos e videos estão sujeitos ao RGPD.
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A propósito da leitura da história " Regresso a Casa" a A.C perguntou o que era " o quarto crescente" que se via na janela de uma das páginas do livro.
Decidimos ir descobrir o que era. Descobrimos que era uma das fases da Lua. Mas porque acontecia? Fomos fazer uma simulação do que verdadeiramente acontece quando a lua deixa de se ver completamente. Cada menino fez um circulo azul que representava a Terra e um circulo amarelo que representava a Lua.
Com um candeeiro a "fazer" de Sol fomos ver que da Terra vemos a sua sombra projetada na Lua. Quando a Lua está do nosso lado vemos a Lua cheia, quando ela continua a dar a volta à Terra para ficar do outro lado da Terra chama-se quarto minguante ( porque vai desaparecer da nossa vista) e nessa altura temos a Lua nova depois a lua começa a "crescer", isto começamos a vê-la de novo e temos o quarto crescente, até termos novamente Lua cheia e isto dura entre 29 e 30 dias.
No nosso jardim de infância privilegiamos o contacto com ambientes que promovem o acesso à cultura. É por isto que vamos todos os meses fazer visitas de estudo. Desta vez fomos à Gulbenkian. descobrir os sons do jardim e ensaiarmos também nós melodias e ritmos que nos ajudam a descobrirmos os nossos sentidos.
A escrita surge na nossa sala essencialmente pela mão da educadora,que regista através do código escrito a fala das crianças em diversos contextos.
A escrita surge no plano do dia quando combinamos o que vamos fazer.
A escrita surge no decorrer dos projetos, quando a educadora vai registando as descobertas que as crianças vão fazendo.
A escrita surge no momento no acolhimento, quando as crianças solicitam que a educadora registe a sua fala. E muitas destas falas são objeto, num momento coletivo de imensas descobertas. As crianças vão descobrindo rimas, bocadinhos de palavras dentro de outras palavras, letras que as crianças reconhecem porque ao analisarem o seu nome as descobrem lá.
É essencialmente este o papel do jardim de infância, incentivar as crianças a descobrir a escrita em momentos funcionais, a descobrir para que serve a escrita, a descobrir os sons idênticos, a descobrir rimas. São estas descobertas que colocam as crianças em situações de conflito cognitivo, isto é colocam-nas a pensar sobre a escrita abrindo-lhes assim todo um mundo que virá na fase seguinte de aprendizagem formal da escrita quando entrarem no 1.º ciclo. Aqui na nossa sala não fazemos letras de forma repetitiva, como se fosse um exercício. Acreditamos, enquanto educadora que a escrita tem que surgir numa sala de pré escolar como o registo da fala e é esse registo que vai impulsionar as crianças a quererem escrever e depois ler para os amigos. ( mesmo que seja uma escrita inventada, mas o importante é que na ideia das crianças a escrita apareça para se ler, para contar...)
De acordo com os estudos mais recentes, as crianças têm que ter acesso a ambientes altamente povoados de escrita, ambientes alfabetizadores em que as crianças reconheçam o que está escrito como sendo algo que passou por elas, passou pelas suas descobertas, pela sua fala e o seu registo.E é por isto que a nossa sala está assim cheia, repleta de significado.